domingo, 24 de julho de 2011

Iron Maiden - From Fear To Eternity



As vendas tem corrido bem para o ultimo longa duração da banda de metal Inglês, Iron Maiden. O mesmo não se poderá dizer do ex-vocalista Paul Di'Anno, recentemente detido por fraude. Voltando aos Maiden, aprás dizer que estão comemorando ainda o êxito do penúltimo CD, tão aclamado pela crítica “The Final Frontier”, recentemente galardoando um Grammy, para Melhor Performance de tema de metal, "El Diablo ". Aproveitando a embalagem desse êxito, perpetuaram-no através de um novo best-of, a compilação chamada From Fear to Eternity: The Best of 1990-2010.

Este trabalho inclui temas da década 70, está bem documentado e ilustrado, e inclui também temas dos anos 80 e 90. É discutível a falta de qualidade de temas como "Fear of the Dark" ou "Bring Your Daughter ... confrontam-se com os melhores clássicos de alto nível, como músicas emblemáticas como "Run to the Hills" ou "Aces High". Este trabalho compreende dois CD incluindo o primeiro temas míticos da banda. Podem-se ouvir ainda alguns temas já dos anos 2000.

"From Fear to Eternity é uma chance para esses novos fãs da banda para explorar a rica história do Iron Maiden, com os destaques de seus últimos álbuns de estúdio oito, copilados numa coleção acessível".

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EMI lança From Fear to Eternity: The Best of 1990-2010

Nave Lusitana


Nave espacial Lusitânia.
Diário de bordo.
13 Maio de 2010.
A ditadura parece não ter fim à vista. Leva já um século de existência e parece não querer deixar-se sucumbir, como o devem fazer todas as coisas que estão mortas.
Continuamos à espera de D. Sebastião. Constantemente vemos nevoeiro, mas apenas artificial. Vamos apalpando na penumbra intencionalmente gerada, mas apenas tacteamos o vazio. Da figura altiva e jovem, nem sombra.
Os gestores da ditadura perpetuam a mediocridade do país, apenas lhe modificando a apresentação. Modernizaram-no, é certo, mas não o fizeram evoluir. Globalizaram-no, mas não o consolidaram. E as gentes, a alma da nação, permanecem na Idade Média, nas profundezas das trevas, como cópias perfeitas de Gollum.
O povo continua burro, feio, desdentado, primitivo, sempre pronto a beijar a mão de quem lhe oferte umas migalhas e sempre pronto, também, a cuspir nessa mesma mão após a barriga proeminente estar satisfeita.
A lógica dos "F" prolonga-se: Fado, Futebol e Fátima. E mantém-se eficaz. Três poderosos opiácios que adormecem e dão prazer às hostes gordas, labregas e incultas. O Fado agora chama-se Samba, o Futebol é Show de Bola e Fátima fartou-se do casebre humilde onde nasceu e mudou-se para um luxuoso condomínio privado.
Os gestores modernizaram-se também. As figuras sorumbáticas e cinzentas metamorfosearam-se em borboletas de cores garridas e berrantes. As barracas dos emigrantes de primeira geração, que infelizmente resolveram ficar, são agora guetos de cimento, fábricas mostruosas que produzem em série criminosos e meliantes de toda a espécie que agora são protegidos pelos gestores coloridos que se alimentam da sua carne podre. Excentricidades de quem tem poder e gosta de apreciar pequenas iguarias gourmet...
As artes também se modernizaram. Quem não sabe cantar grava discos e tem sucesso, quem sabe vagueia no "underground". Quem não sabe representar é actor de sucesso, quem sabe é elitista.
Os azeiteiros que enriqueceram a roubar, a enganar e a explorar povos mais atrasados ainda, são agora comendadores e têm galerias de arte faraónicas pagas pelos gestores com o dinheiro do povo, que não sabe distinguir um Miró ou um Picasso de uma lata de sardinhas ou de de uma Sagres média.
Dos navios atracados já não sai peixe, mas droga. A terra fresca e pura já não produz o pão que nos alimenta. Foi vendida aos espanhóis que, sorrateira e inteligentemente, nos conquistaram de novo, sem que dessemos por nada.
Em Lisboa Até quando somos assaltados temos que falar uma língua estrangeira para suplicar que não nos matem. Cúmulo da indignação!
Os ladrões andam à solta, a gente honesta é perseguida pelo fisco.
Os assassinos mais nojentos têm a protecção de todo o tipo de associações, quem executa o direito humano mais básico e ancestral, que é a sua própria auto-defesa, vai preso.
Quem trabalha tem obrigações, quem não quer fazer nada tem direitos.
Quem estuda uma vida inteira para se valorizar, não tem emprego, quem nunca quis estudar por malandrice, tem subsídios.
E os gestores, esses, continuam sentados no trono, banqueteando-se faustosamente.
E assim vai a perpétua ditadura.

Aqui na nave somos cada vez menos. Continuamos a sobrevoar o país, mas não nos permitem a aterrissagem. A velhice vai levando aos poucos os combatentes fatigados. Mas continuamos a resistir. Até quando, não sabemos. Alguns de nós ainda têm esperança de ver o fim da ditadura que se arrasta.
Eu já não sei. Mas continuarei a lutar. Até a nave cair ou o país se endireitar

sábado, 4 de junho de 2011

Iron Maiden - Final Frontier


De volta às lides após um breve mas longo interregno que não vai, concerteza, deixar recordações que se dignem de registo, voltei a sentir a necessidade de descarregar a carga negativa acumulada no últimos tempos.
Após três longos meses onde pude comprovar o porquê de a sociedade, sobretudo a portuguesa, porque é a minha, ser uma lamentável amostra de estupidez, chico-espertice e pedantismo barato (voltarei a dissecar este assunto), daí advindo o estado da nação, resolvi deambular por esse mundo abstracto e estapafúrdio que é a televisão. Impressionante! Nem tenho palavras... Ainda bem que tenho duzentos (!) e tal canais, sempre se há-de descobrir alguma coisa de interessante... Percorro-os a todos. Com espírito observador e crítico, como sempre deveria ser. Resultado? Mais tarde... Fiquei aborrecido, tonto, dormente. Mais tarde divagarei sobre o que observei. E nestes momentos de dormência, conjugados com o calor sufocante que alguns dejetos humanos todos os anos nos resolvem brindar, dançando lascivamente no crepitar das chamas e na morte de pessoas de valor, nada melhor que um gin tónico para apaziguar a fogueira que estala como um ranger de dentes. Ou dois. Ou três...
Mas eis que nem tudo é mau. Mas eis que sempre surgem coisas boas para nos elevar o espírito confuso. Após aceder a esse mundo virtual de poucas virtudes que é a internet, descobri que os meus fabulosos Iron Maiden lançaram, finalmente, o seu novo álbum, The Final Frontier. Maravilha! Como ainda não saiu em Portugal, resolvi navegar aleatóriamente pela rede e facilmente consegui descobrir um sítio onde pudesse descarregar o álbum. Devo esclarecer que este comportamente é algo que eu condeno veementemente. Por outro lado, a curiosidade acerca do álbum desta banda que amo, que é, como se dizia nos anos 80, mais que uma banda, uma religião, era muita. E assim fiz. E assim o ouvi. E assim, tão simples como isso, se dissiparam todos os meus azedumes. Porquê? Porque o álbum é fantástico, é puro Iron Maiden, é puro Heavy Metal, é puro prazer, é pura alienação dos sentidos, no bom "sentido". E é a materialização enigmática de tudo quanto eu amo e adoro neste género musical, incompreensível para tantos. Algo que não se consegue explicar. Algo que se sente e que é maior que nós, maior inclusive que os próprios artistas. É genuíno, verdadeiro, puro, catártico e original. Algo que provoca arrepios na espinha, arrepios de prazer. Qualquer medíocre daqueles que produzimos em série e que reinam porque nivelamos por baixo, consideraria este sentimento de puro prazer como loucura. Quem sabe? Mas que loucura! Poderoso alimento da alma que eles não entendem porque não a têm, pelo menos não a pura.
Por isso, antes de o cinismo e a crítica me voltarem a espicaçar e agora que as férias estão aí e devem ser aproveitadas porque a vida se esvai aos poucos, vou beber um gin tónico bem gelado e ouvir pela vigésima vez o "The final Frontier". E perder-me... Amanhã irei a correr comprar o original. Quando adormecer, o mundo será bem melhor. Amanhã... Amanhã logo se verá...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

Basílica Santa Maria del Fiore



A esplendorosa Basílica de Stª Maria del Fiore, aparte ser um majestoso monumento, tem uma especial particularidade que reside na cúpula, desafiando esta todas leis da matemática conhecidas até hoje. Foi por isso considerada impossível de construir durante séculos. Essa foi a relevância que impeliu a postar nesta minha rubrica “ As grandes obras Humanas”. O arquitecto responsável pela obra foi Fillipo Brunelleschi.
Ainda hoje a obra é estudada, como tentativa de descoberta de quais as técnicas utilizadas na obra.
A cidade de Florença è de resto, um completo enigma, todos os monumentos ai existentes são dotados de pormenores de arquitectura inexplicáveis, pelos suas divisões secretas, infindáveis túneis e passagens secretas existentes ao longo de toda a cidade.
Este pormenor arquitectónico deve-se ao capricho dos reis da época que resguardando-se aos olhares do povo, percorriam toda a cidade sempre encobertos pelas facilidades arquitectónicas ai construídas.

Toda a cidade de Florença, é um completo enigma ainda muito longe de ser totalmente descoberto, para além deste assentar sob várias civilizações, datando a mais antiga uma cidade romanas de 59 AC verifica-se ainda vestigios de varias cidades medievais. Foi objecto de estudo de grandes celebridades do Renascimento, que aprofundaram e desenvolveram muitos dos inigmas ai verificadas hoje. Veja-se alguns dos nomes mais relevantes:

Leonardo da Vinci - http://pt.wikipedia.org/wiki/Leonardo_da_Vinci 1452/ 1519
Michelangelo - http://pt.wikipedia.org/wiki/Michelangelo 1475/ 1564
Galieu Galiei - http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_Galilei 1564/1642




A Basílica di Santa Maria del Fiore é a catedral, ou Duomo[1], da Arquidiocese da Igreja Católica Romana de Florença. Notabilizada por sua monumental cúpula - obra do celebrado arquiteto renascentista Brunelleschi - e pelo campanário, de Giotto, é uma das obras da arte gótica e da primeira renascença italiana, considerada de fundamental importância para a História da Arquitetura, registro da riqueza e do poder da capital da Toscana nos séculos XIII e XIV. Seu nome (cuja tradução é Santa Maria da Flor) parece referir-se ao lilium, símbolo de Florença, mas, documento [2] do Século XV, por outro lado, informa que “flor”, no caso, refere a Cristo.


A cúpula, a 45,6 metros de largura, foi originalmente uma cúpula de madeira construído por Arnolfo di Cambio. Construir uma cúpula sobre o coro implicou muitos problemas técnicos. Já havia um modelo de tijolo para a cúpula desde 1367 (como explicado na vida de Brunelleschi, Antonio Manetti, ca. 1480).
Em 1419 houve um concurso para desenhar uma nova cúpula ( cúpula em italiano) para a catedral. Os dois principais concorrentes foram Lorenzo Ghiberti (famoso por seu trabalho em "Gates of Paradise" no batistério) e Filippo Brunelleschi .

Um arquiteto desconhecido de tempo chegou mesmo a propor a encher a catedral com o solo antes do levantamento da cúpula a fim de construir a cúpula em forma acima do solo (ainda não conhecida como construir uma cúpula com peso e tamanho) . Quando questionado sobre como ele iria tomar as terras, foi sugerido que a cidade poderia misturar-se com a troca da terra e os pobres, aliás, seria de drenagem da cúpula.
de cúpula Brunelleschi foi inspirado no "sanduíche duplo" do Panteão , em Roma . Com a ajuda de Donatello e Nanni di Banco construiu um modelo de madeira e tijolo (apresentada no Museo dell'Opera del Duomo). Brunelleschi venceu de forma restritiva. Seu modelo serviu como um guia para os artistas, mas intencionalmente incompletas apresentou-o a garantir seu controle sobre a construção.



As soluções de Brunelleschi foram um engenhoso e inédito e original projeto, a octogonal de parede dupla : a cúpula é gerado em um tambor octogonal, permitindo que toda a cúpula foi construída a partir da superfície, sem andaimes, que envolveu uma alta custo.
O Duomo de Florença, como o vemos hoje, é o resultado de um trabalho que se estendeu por seis séculos. Seu projeto básico foi elaborado por Arnolfo di Cambio no final do século XIII, sua cúpula é obra de Filippo Brunelleschi, e sua fachada teve de esperar até o século XIX para ser concluída. Ao longo deste tempo uma série de intervenções estruturais e decorativas no exterior e interior enriqueceriam o monumento, dentre elas a construção de duas sacristias e a execução de esculturas e afrescos por Paolo Uccello, Andrea del Castagno, Giorgio Vasari e Federico Zuccari, autor do Juízo Final no interior da cúpula. Foi construída no lugar da antiga catedral dedicada a Santa Reparata, que funcionou durante nove séculos até ser demolida completamente em 1375.
Interior da nave vista lateral do Duomo com a cúpula e a torre do sinoEm 1293, durante a República Florentina, o notário Ser Mino de Cantoribus sugeriu a substituição de Santa Reparata por uma catedral ainda maior e mais magnificente, de tal forma que "a indústria e o poder do homem não pudessem inventar ou mesmo tentar nada maior ou mais belo", e estava preparado para financiar a construção. Entretanto, esperava-se que a população contribuísse, e todos os testamentos passaram a incluir uma cláusula de doação para as obras. O projeto foi confiado a Arnolfo em 1294, e ele cerimoniosamente lançou a pedra fundamental em 8 de Setembro de 1296.

Arnolfo trabalhou na construção até 1302, ano de sua morte, e embora o estilo dominante da época fosse o gótico, seu projeto foi concebido com uma grandiosidade clássica. Arnolfo só pôde trabalhar em duas capelas e na fachada, que ele teve tempo de completar e decorar só em parte. Com a morte do arquiteto o trabalho de construção sofreu uma parada. Um novo impulso foi dado quando em 1330 foi descoberto o corpo de São Zenóbio em Santa Reparata, que ainda estava parcialmente de pé. Giotto di Bondone então foi indicado supervisor em 1334, e mesmo que não tivesse muito tempo de vida (morreu em 1337) ele decidiu concentrar suas energias na construção do campanário. Giotto foi sucedido por Andrea Pisano até 1348, quando a peste reduziu a população da cidade de 90 mil para 45 mil habitantes.

Esta construção enorme pesa 37.000 toneladas e contém mais de 4 milhões de tijolos. Ele fez vários modelos e desenhos durante a construção. Brunelleschi teve de inventar equipamentos especiais de içamento e guindastes para erguer grandes rochas. Estas máquinas especialmente concebidas e técnicas de alvenaria brilhantes foram as contribuições espetacular para a arquitetura de Brunelleschi. A capacidade de transferência de um círculo de um lado de um cone no interior da parede dupla permite a construção do arco "horizontal" que se sustenta porque, geometricamente, uma planta circular é necessário para essa construção.

Por exemplo, na cúpula, também tiras horizontais reforçada em pedra e ferro, abrindo o caminho para as idéias de reforço, de ferro e aço a ser utilizado séculos mais tarde, como o caso do concreto.

Apesar da resolução do concurso, os arquitetos foram contratados para realizar o trabalho. Não houve consenso. Ghiberti zombaram desses planos e chamou-lhes impossível. Brunelleschi, profundamente ofendida, alegou doença e partiu para Roma, deixando o projeto nas mãos de Ghiberti. Mas Ghiberti logo percebi que eu não era capaz de realizar o trabalho em si. Brunelleschi retornou em 1423 assumir a responsabilidade pela sua construção.

Os trabalhos da cúpula começaram em 1420 e foi concluída em 1436. A catedral foi consagrada pelo Papa Eugênio IV em 25 de março de 1436 (primeiro dia do ano, de acordo com o calendário de Florença) foi a primeira cúpula octogonal história que foi construído sem o apoio de uma moldura de madeira (O Panteão Roma foi construída entre 118 e 128 , sem estruturas de apoio, mas é uma cúpula redonda) e foi a maior cúpula construída então (ainda na alvenaria cúpula maior do mundo) foi um dos mais espetaculares do Renascimento .

a idéia de Brunelleschi para coroar a cúpula com uma lanterna grande foi desafiado, resultando em um novo concurso para a adjudicação. Seus concorrentes foram Lorenzo Ghiberti e Antonio Cachieri, Brunelleschi foi o vencedor. Seu projeto era de uma lanterna octogonal com oito arcobotantes na rádio e oito janelas em arco (agora em exibição no Museo dell'Opera del Duomo). A construção do farol foi iniciado poucos meses antes de sua morte em 1446. Sua construção foi retardada por 25 anos sem progresso é considerável, devido às intervenções feitas por diversos arquitetos. Foi finalmente concluído por seu amigo Michelozzo em 1461. O telhado cónico era encimado por Verrocchio em 1469, com uma camada de cobre e contendo relíquias cruz. Ele usou uma grua especialmente projetada por Leonardo da Vinci . A estrutura esta é uma altura total de 114,50 metros da cúpula e lanterna. O telhado de cobre foi atingido por um raio em 17 de julho de 1600 e caiu. Foi substituída por outra, ainda maior, dois anos depois. A cúpula de Florença é um monumento que, desde a sua construção, tem sido considerada como perfeita.


Interior da cúpula, com afresco de Giorgio Vasari e Federico Zuccari representando o Juízo Final

Video mostrando a entrada principal com as portas de bronze.
O relógio de UccelloSob Francesco Talenti, supervisor entre 1349 e 1359, o campanário foi concluído e preparou-se um novo projeto para o Duomo, com a colaboração de Giovanni di Lapo Ghini: a nave central foi dividida em quatro espaços quadrangulares com duas alas retangulares, reduzindo o número de janelas planejadas por Arnolfo. Em 1370 a construção já estava bem adiantada, o mesmo se dando com o novo projeto para a abside, que foi circundada por tribunas que amplificaram o trifólio de Arnolfo. Por fim Santa Reparata terminou de ser demolida em 1375. Ao mesmo tempo continuou-se o trabalho de revestimento externo com mármores e decoração em torno das entradas laterais, a Porta dei Canonici (sul) e a Porta della Mandorla (norte), esta coroada com um relevo da Assunção, última obra de Nanni di Banco.

Contudo, o problema da cúpula ainda não fora resolvido. Brunelleschi fez seu primeiro projeto em 1402, mas o manteve em segredo. Em 1418, a Opera del Duomo, a centenária empresa administradora dos trabalhos na Catedral, anunciou um concurso que Brunelleschi haveria de vencer, mas o trabalho não iniciaria senão dois anos mais tarde, continuando até 1434. A Catedral foi consagrada pelo Papa Eugênio IV em 25 de março (o Ano Novo florentino) de 1436, 140 anos depois do início da construção. Os arremates que ainda esperavam conclusão eram a lanterna da cúpula (colocada em 1461) e o revestimento externo com mármores brancos de Carrara, verdes de Prato, e vermelhos de Siena, de acordo com o projeto original de Arnolfo

sábado, 26 de março de 2011

VOZES DO MAR







Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Florbela Espanca
Poesia Completa
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2000

Borrasca Letal








Ouço as águas revoltas crescendo para nós
Ouço o rufar das vagas que explodem de selvagens
O céu escuro aterrador pinta-nos de penumbra as faces

Os carneiros nas cristas das vagas espumam para o ar
Surgem promontórios de uma força ameaçadora
Que se colam ao céu e escondem o horizonte
Ora s afundam em cavas vertiginosas
O vento salgado e gélido ensopa-nos até à alma

Aproa do nosso vaso… ergue-se por fim e afocinha no azul para sempre
Conforto-me o pensamento de ser o mar a levar-me…
Fico feliz no caos oceânico que me abraça

E por fim em vã glória abandono-me ás profundezas
E agora fui cais que quis ser mar.

António Barata – 1984