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sábado, 26 de março de 2011

VOZES DO MAR







Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Florbela Espanca
Poesia Completa
Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2000

Borrasca Letal








Ouço as águas revoltas crescendo para nós
Ouço o rufar das vagas que explodem de selvagens
O céu escuro aterrador pinta-nos de penumbra as faces

Os carneiros nas cristas das vagas espumam para o ar
Surgem promontórios de uma força ameaçadora
Que se colam ao céu e escondem o horizonte
Ora s afundam em cavas vertiginosas
O vento salgado e gélido ensopa-nos até à alma

Aproa do nosso vaso… ergue-se por fim e afocinha no azul para sempre
Conforto-me o pensamento de ser o mar a levar-me…
Fico feliz no caos oceânico que me abraça

E por fim em vã glória abandono-me ás profundezas
E agora fui cais que quis ser mar.

António Barata – 1984

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Amizade


Para se segurar, use a cabeça;
Para segurar os outros, use o coração.

Ódio é apenas uma curta mensagem de perigo.
Grandes mentes discutem idéias;

Mentes medianas discutem eventos;
Mentes pequenas discutem pessoas...

António Barata

Estudo Sobre as Mulheres!... Será verdade?? Aceitam-se comentários...



1 aos 5 anos:
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Não têm a mínima ideia do que são.

5 aos 10 anos:
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Sabem que são diferentes dos meninos mas não entendem porquê.

10 aos 15 anos:
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Sabem exatamente porque são diferentes, e começam a tirar partido
isso.

15 aos 20 anos:
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Sabem o que querem ser, porém continuam a ser o que não querem ser, e
mesmo assim provocam distúrbios emocionais nos rapazes.
Nesta fase dividem-se em 4 grupos distintos:
G1: Tipo difícil (geralmente as bonitinhas);
G2: Topa tudo (as meigas);
G3: As Louras (as preferidas);
G4: As Inteligentes.

20 aos 25 anos:
==========
Esses são os anos dourados; sabem exatamente o que são, e tiram o
máximo de proveto disso. Tem uma meta definida e dificilmente o
seu alvo será poupado, nada vai atrapalhar a realização dos seus
desejos (casar é claro). Nesta fase mudam o perfil de amizades com relação a
suas amigas:
As que são bonitas:
Procuram ser muito amigas das mulheres que são piores do que ela.

As que são feias:
Procuram ser muito amigas de mulheres bonitas para ficarem com as
sobras.

As que são louras:
Tanto faz, afinal elas são minorias e são as preferida pelos homens.

As Inteligentes:
Andam com as loiras, para se destacarem intelectualmente.

25 aos 30 anos:
==========
Nesta fase formam 5 grupos distintos:
G1 : As que casaram por dinheiro;
G2 : As que casaram por amor;
G3 : As que não casaram;
G4 : As que simplesmente casaram;
G5 : As inteligentes.

Porém todas não se conseguem satisfazerem plenamente, pois as do:
G1 : descobrem que dinheiro não é tudo na vida, e sentem falta de uma paixão;
G2 : descobrem que a paixão não é tudo na vida, e sentem falta do dinheiro;
G3 : Não interessa o dinheiro e a paixão, sentem mesmo falta é de um homem;
G4 : Não entendem por que se casaram;
G5 : Descobrem que ser inteligente não é tudo na vida.

Não importa o grupo a que pertencem, a desilusão é evidente e então
começam a apresentar os primeiros sintomas de uma doença muito crónica
denominada: RDT (Reclamam De Tudo), na qual os homens acabam por ser as maiores
vitima dessa paranóia.

30 aos 35 anos:
=========
Sabem exatamente onde erraram, ficam sem saída, e num acto de
desespero pintam o cabelo de loiro e tentam ser mais burras que o
normal.
Vão para a aeróbica, tentam voltar a ser a menininha, porém o esforço não dá
resultado. Cai a auto-estima, o peito, o rabo, a barriga....Agrava-se
ainda mais o sintoma RDT(Reclamam De Tudo).

35 aos 40 anos:
==========
Pioram a sua situação. Entram na fase da comparação. Não entendem
porque é que as loiras burras tiveram tanto sucesso e elas não.
Novamente num acto de desespero cortam o cabelo curto, mantendo o
colorido loiro, porém não conseguem evoluir o seu nível de burrice.
Agrava ainda mais o sintoma RDT (Reclamam De Tudo), e começam a
culpar o parceiro pelas suas frustrações. Procuram ajuda espiritual.

40 aos 45 anos:
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Não suportam mais as loiras naturais, principalmente as que se deram
bem na vida. Tudo desmorona à sua volta. Agrava-se ainda mais o sintoma RDT
e agora estão convictas de que o seu parceiro foi realmente o culpado por
tudo o que de mau aconteceu com elas, desprezando totalmente os bons momentos
que tiveram na vida.
Abandonam a ajuda espiritual e procuram ajuda médica, com analistas
e cirurgiões plásticos.

45 aos 50 anos:
==========
Chega a nova fase da sua vida, parece que tudo vai ficar bem, graças
aos cirurgiões.
O rabo e a barriga voltaram ao normal, o peito ficou melhor do que
era e explode uma paixão pelo analista. Acha que ele é a única pessoa que
conheceu durante toda sua vida que a entende, e tem paciência quando conversa
com ela. Porém esquece que o analista conversa com ela somente 1 hora por
semana e cobra 7Cts, enquanto o seu parceiro atura as lamentações, o mínimo
40 horas por semana e ainda tem um gasto de aproximadamente 280Cts por
mês.

Após os 50 anos:
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Começam a ter comportamento diferentes e bem definidos porém
continuam com
o
RDT até o fim dos seus dias...
E para os homens "HAJA PACIÊNCIA para suportar tudo isso".

Dados Sobre a Pesquisa:
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As pesquisa foi realizada num grupo muito pequeno de mulheres, pois
afinal de contas são todas iguais.

domingo, 18 de julho de 2010

A Lágrima

Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,
Sêca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.
Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.
Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,

A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.
Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,
De perto era um diamante e de longe uma estrêla.
Passa um rei com o seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.

- "No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,
Há safiras sem conta e brilhantes sem par,
"Há rubins orientais, sangrentos e doirados,
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.

"Há pérolas que são gotas de mágua imensa,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.
"Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir

"Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!"
E a lágrima deleste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.
E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!
"Far-te hei relampejar, de vitória em vitória,
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!
"E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.
"E assim alumiarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!"
E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.

-

Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.

Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.
E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,
Vendo a estrêla, exclamou: "Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!
"Com meu oiro em montão podiam-se compra
Os impérios dos reis e os navios do mar,
"E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!"
E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.
Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:

"A terra onde o lilaz e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra.
"Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.
"Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,
Ouvi trinar, gorgear a música dos ninhos.
"Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...
"Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...
"Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água,
Cai na desolação desta infinita mágoa!"
E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Tremeu, tremeu, tremeu... e caíu silenciosa!...

E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor côr de sangue,
Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...
E ao cálix virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!...
.
Guerra Junqueiro
25 de Março de 1888

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mar Encantado


Mar encantado,
De multidão perdida,
Tronco curvado,
Maré esquecida,
Barco sem rumo,
Sem vida lá dentro,
Passa o prumo,
Foge do vento,
Rebenta vulcão,
Foge a maré,
Pula coração,
Fugindo a pé.

Por: António Jesus Batalha.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"O sentimento que dura, é o não correspondido"


O que me dói é uma falta de pedaço de mim que sinto no coração
Que deixo para trás derramado e desprezado, ferindo a minha vida...
Foi algo que existiu e que se passou
Num sitio concreto onde ainda te encontras
E que não dá para ignorar, pelo menos para mim
Foram na verdade encontros na tua cidade
de passeio de convívio, confiança, entrega; especiais sim,
que ninguém tem com qualquer um, que não esquece,
porque sabemos quem somos.

Negas a pretexto de um principio...( muito integro sim!...)
Mas que podia ter sido debatido e resolvido com tempo
E que seria muito bom para nós, ou não ainda não sei bem
fica-me o teu doce calor mas também a frieza

Mas como podes tu com a tua grandeza dessabere tudo isto?
Desarmonizaste-te com os meus tentames
sei desconfio que por algumas coisas outras que não dizes
Sou agora alguém que desvaneceu por tal para ti
Mas pergunto na esperança que contestes
Como podes cortar alguns os poucos laços que existem para tal?
que em nada te comprometem...

Crede porém, que guardarei teu sorriso e teu olhar para sempre
nas muitas fotos que te tirei sempre que te tinha por perto
E ainda a lembrança do toque macio do teu corpo esbelto e intacto
de que destaco em especial os cabelos, os ombros atléticos e os teus olhos de mel
E sem esquecer o teu carinho e dos teus que tanto defendeste e enaltecestes ( por erro meu claro)!...
Mas desculpa-me lá qqc. e resigno-me com um até sempre se for o caso ou se assim o quiseres...
Mas se não !...
Espero bem que sim no fim de tudo!... Fico à mercê da tua escolha e vontade... e especialmente a verdade...ainda que seja mais dolorosa!...

António Barata

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Transparência Duvidosa


A certas pessoas porem, nada lhes convém, especilamente a transparência e eu sei porquê. Temem a invisibilidade. A invisbilidade magoa! Azar! Tem que se passar por ela para crescer; crescer doi. Mas se não doesse, não sabia a nada chegar ao fim!...

A consciência "amputada", é a maior "deficiência" dos pseudo-tudo.
Essa é uma boa definição da indefinição dos pseudos, redundantemente falando dos pleonasmos ou daquilo que, não sendo bem, é. :)
Isto será o mesmo que dizer :

" Tudo aquilo que percebo não é para que se perceba, aliás não percebo nada"

Ana Vasconcelos

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Liberdade


Agora sou livre...
Livre de voar...
Livre de perceber...
Livre de sonhar.
Dediquei-me e lutei...
Adaptei-me e mudei.
Hoje, olho para trás e sorrio
quando tanta vez chorei.
Hoje olho definitivamente para a frente
de cabeça erguida permanentemente
com uma lágrima de saudade
que no meu rosto escorre sem maldade...
Hoje roubei o sorriso ao mundo
e agora é só meu!
Hoje roubei a luz ao sol
e agora é só minha.
Hoje vou lutar por ganhar a saudade.
Vou lutar por ganhar a minha vida.
Vou lutar pela verdade
de toda esta sofridão escondida.
Vou lutar e aprender a voar.
Vou desprender-me das amarras e finalmente sonhar.
Vou, sozinho,
de mãos dadas com a vida caminhar
e de olhos postos na luz que me ilumina
sozinho... para me encontrar!
Agora sou livre...
sou livre de me imortalizar!

António Barata

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Crime Perfeito



Desliza os dedos pela minha nuca e sente o arrepio na pele...
Encosta os lábios ao meu pescoço e deixa-me sentir-te respirar...
Morde-me a orelha e sussurra-me ao ouvido tudo o que me vais fazer...
Agarra-me pela cintura com as tuas mãos e senta-me no teu colo...
Desce a tua boca pelo meu peito e desaperta-me o soutien...
Puxa-me contra ti e deixa-me sentir esse volume que te cresce...
Explora-me por baixo da saia e sente aquele lago que transborda...
Entra em mim com os dedos e mostra-me o teu olhar de desejo...
Leva-me ao colo até aquela mesa e faz-me debruçar sobre ela...
Agarra-me pelos cabelos e entra todo em mim duma só vez...
Faz-me gritar, implorar para que não pares...
E no fim ainda me disse com o seu sotaque tripeiro inconfundivel
"Foste impecabel"...

António Barata

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

MAR PORTUGUÊS


MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

Fernando Pessoa

sábado, 11 de outubro de 2008

O Castelo da Vida


Com os tempos que correm muitos castelos se desfazem, alguns aguentarão a torrente das águas outros se perderão para sempre!...espero que se vislumbre a construção de outros tantos. Acima de tudo há que manter o pé firme na impetuosa enxurrada
e agarrar o maior numero de pedras…e uma nova oportunidade de construtura surgirá!“
.
Posso ter defeitos, viver ansioso
E ficar irritado algumas vezes,
Mas não me esqueço de que a minha
Vida é a maior empresa do mundo,
E que posso evitar que ela vá à falência.
.
Ser feliz é reconhecer que vale
A pena viver apesar de todos os desafios,
Incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
E tornar-se num autor da própria história.
.
É atravessar desertos fora de si,
Mas ser capaz de encontrar um oásis
No recôndito da sua alma.
È agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos,
É saber falar de si mesmo,É ter coragem para ouvir um “Não”.
É ter segurança para receber uma critica,
Mesmo que injusta.
.
Pedras no caminho????????Guardo-as todas….E um dia vou construir um castelo….”
.
Fernando Pessoa